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Cirurgia plástica para enxaqueca?

A enxaqueca é uma das 7 doenças mais impactantes do mundo, atingindo mais de 140 milhões de brasileiros, segundo a SBC (Sociedade Brasileira de Cefaleia). Uma esperança, porém, desponta no horizonte da medicina moderna: a cirurgia plástica da enxaqueca. Trata-se de um novo procedimento pouco invasivo que promete diminuir e até acabar com as crises.

A princípio, o procedimento é realizado no Brasil de forma experimental, como parte de um estudo comandado pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Descoberta nos anos 2000, quando os pacientes do cirurgião plástico e professor da Case Western Reserve University, o americano Bahman Guyuron, relataram que as dores de cabeça melhoraram depois de uma cirurgia estética na região frontal ou superior do rosto.

O cientista identificou que a operação reduzia a compressão de nervos responsáveis pela sensibilidade da face, do pescoço e do couro cabeludo. Dores de cabeça intensas são causadas justamente pela irritação desses nervos que liberam neurotoxinas e geram uma inflamação de estruturas ao redor do cérebro.

O índice de sucesso dessa cirurgia pode chegar a 88%, entre cura total e melhora da dor, mas ela é indicada somente para pacientes crônicos, que já esgotaram todas as alternativas de tratamento tradicional. O primeiro passo, portanto, é ser diagnosticado por um neurologista ou neurocirurgião. Se os tratamentos indicados pelo profissional não funcionarem para o paciente, aí é possível estudar essa hipótese com a equipe de cirurgia plástica da Unifesp – já que o procedimento ainda está em fase de teste e não há garantias de resultados. O médico pessoal também precisa fazer uma avaliação criteriosa para autorizá-lo.

Apesar do sucesso, neurologistas alertam: a cefaleia não é uma doença ligada ao nervo, mas aos genes. Ou seja, há uma predisposição genética para as crises. Por isso, o tratamento da enxaqueca é geralmente baseado em encontrar e evitar gatilhos como barulho, estresse, insônia, luz forte, alguns tipos de alimentos (café, sorvete, álcool) etc. Sendo assim, tratar a cefaleia com cirurgia plástica não é uma recomendação clássica, mas um último recurso.

Cirurgiões plásticos, no entanto, alegam que a enxaqueca é uma simbiose da genética com a anatomia, ou seja, os nervos que dão sensibilidade para região frontal podem ter pontos de compressão. A cirurgia identifica quais são esses pontos e faz a descompressão, ajudando a reduzir os sintomas.

Fonte: Medical Site